Ansiedade em homens de alta performance: sinais, impactos emocionais e o papel da terapia
Postado por Erik Matos em 13/01/2026 17:17
Tem muita coisa que os homens não dizem.\
Não por orgulho mas por costume.
E uma das frases mais comuns que escuto no consultório é:
> “Eu dou conta de tudo… mas não estou bem.”
Estamos falando de homens que lideram, empreendem, entregam resultados, sustentam famílias, tomam decisões. Homens que aprenderam a lidar com tudo menos com a própria mente.
A ansiedade, nesse cenário, não aparece como crise.\
Ela se disfarça de produtividade.\
Ela veste terno, responde e-mail de madrugada, treina às 6h e sorri no almoço de família mesmo exausto por dentro.
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### A ansiedade silenciosa da alta performance
Existem diferentes formas de ansiedade. Mas, entre homens que vivem sob pressão constante, uma delas é particularmente traiçoeira: aquela que não paralisa, mas **superativa**.
É o tipo de ansiedade que mantém a mente acelerada mesmo depois do expediente.\
Que transforma cada meta em urgência.\
Que troca descanso por culpa e desconexão por hiperfoco.
Sintomas comuns incluem:
- Insônia, mesmo com cansaço extremo
- Irritabilidade com detalhes mínimos
- Pensamento antecipatório constante ("e se der errado?")
- Sensação de que nunca é o bastante, mesmo após conquistas reais
Essa ansiedade, silenciosa e funcional, é facilmente confundida com “perfil de alta performance”.\
Mas há uma linha tênue entre excelência e esgotamento.
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### O impacto emocional da autocobrança
Homens foram educados para “aguentar firme”.\
O problema é que, quanto mais você aguenta, mais as pessoas esperam que você continue aguentando.
E aí surge o dilema:\
**Se eu desacelerar, decepciono. Mas se continuar assim, desmorono.**
Nesse ponto, muitos homens já perderam o prazer em conquistas que antes motivavam.\
Trabalham por obrigação, vivem no modo automático, desconectados de si e das pessoas ao redor.
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### Terapia não é pausa. É estratégia.
Muitos ainda veem a psicoterapia como último recurso.\
Mas ela pode e deve ser um espaço de **prevenção, reestruturação e clareza**.
Através de abordagens como a **Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)**, ancoradas em **Práticas Baseadas em Evidências (PBE)**, é possível:
- Identificar e interromper padrões mentais disfuncionais
- Reduzir o impacto da autocrítica e do perfeccionismo
- Aprender a regular emoções em contextos de alta exigência
- Estabelecer metas realistas, sem abrir mão da ambição
Diferente do que muitos pensam, a terapia não enfraquece.\
Ela refina. Ela afia a mente para que você continue crescendo com mais leveza e inteligência emocional.
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### Alta performance emocional existe, mas exige revisão de rota!
Não se trata de “ficar zen” ou abrir mão da produtividade.\
Trata-se de sustentar sua entrega **sem se destruir no processo**.
A verdadeira alta performance é sustentável.\
É aquela que permite que você alcance seus objetivos **sem perder sua saúde, seus relacionamentos e sua identidade no caminho.**
Se a ansiedade já se tornou parte da sua rotina, talvez seja hora de escutá-la — não como um inimigo, mas como um sinal.
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### Referência recomendada:
**Clark, D. A., & Beck, A. T. (2014).** *Vencendo a Ansiedade e a Preocupação com a Terapia Cognitivo-Comportamental*. Porto Alegre: Artmed.
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### Sobre o autor:
**Erik Matos** é psicólogo clínico (CRP 16/9121) e atende adultos em processos de ansiedade, estresse, autoestima e perfeccionismo. Trabalha com base na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e práticas baseadas em evidências.